Chega para atendimento, acompanhado da mãe, o jovem Eurípedes. Ele tem 17 anos e está terminando o 3o ano do ensino médio. Está empenhado em conseguir uma boa nota no ENEM para ingressar no curso de Medicina. A mãe ressalta que ele sempre foi muito “estudioso” e obtém sempre excelentes notas. Acompanhe parte do diálogo que ocorre entre o paciente e o médico: [Após coleta de informações preliminares] Médico: Muito bem Eurípedes, como posso te ajudar? Eurípedes: estou aqui porque preciso de melhor esclarecimento sobre alguns problemas que carrego há muito tempo. Andei pesquisando em sites e artigos científicos e desconfio de algumas coisas. Médico: Já foi avaliado alguma vez por esses problemas ou fez algum tratamento? Eurípedes: estive em acompanhamento com psiquiatra até 6 meses atrás. Por cerca de 18 meses fui diagnosticado com transtorno de ansiedade generalizada. Usei venlafaxina, fiquei bem e depois de um tempo programamos o desmame. Não voltei a ter aquela ansiedade do início do tratamento, mas fiquei decepcionado com o profissional porque quando fui falar sobre esses meus outros incômodos ele não deu muita importância. Médico: então me relata que problemas são esses. Eurípedes: Fiz umas anotações aqui pra ficar melhor de lembrar. Percebo que, pelo menos desde o início da adolescência, sou muito tímido. Tenho dificuldade de falar com pessoas que não conheço. Falar em público sempre foi uma tortura. Gosto de ficar na minha, fazendo minhas coisas. Mãe: é doutor, ele sempre foi muito na dele. Mas às vezes parecia até que não gostava de gente. Lembro que quando era pequeno se agarrava na minha perna quando chegava visita em casa. Médico: Acha que tudo isso te causa prejuízo? Eurípedes: Achava que não, mas ultimamente vejo que fico limitado por isso. Por exemplo, nunca fiquei com ninguém porque sempre que me atraio por alguma menina não tenho corajem de chegar junto... Sei lá, me sinto meio desastrado com essas coisas de paquera e namoro. Mas tem outras coisas aqui na lista: tenho problemas com alguns tipos de situações, lugares com muito barulho são estressantes pra mim, me deixam surtado. E não consigo sentir muitos cheiros. Fui até num otorrino e não foi encontrado nenhum problema relacionado ao nariz. Mais: as pessoas me chamam de metódico. Gosto de cada coisa no seu lugar e detesto improvisar. Gosto das coisas previsíveis, busco muito por segurança. Mãe: ah lembrei de umas coisas, deixa eu falar meu filho. Doutor, ele tem umas manias que dá raiva. Pra comer cada coisinha tem que ficar num lugar do prato, o feijão não pode misturar com a verdura, é um problema. Essa parte de comida sempre foi um estresse pra mim, porque tem muita coisa que ele não come, que não gosta desde criança. E tem muito gosto de colecionar umas coisas. Às vezes fica um tempão olhando pras coisas dele. Quando era criança tinha umas manias de depenar os carrinhos dele e ficar brincando só com os pedaços. Eurípedes: Mãe, e tem aquilo que você reclama muito, que eu sou cabeça dura. Mãe: Aff Maria! Doutor, esse menino quando bota uma coisa na cabeça é triste pra tirar. Mas pelo menos às vezes parece que serve. Teve uma época que botou na cabeça que ia ganhar uma gincana que a escola fez de Matemática. Passava horas e horas estudando e não foi que o danado ficou em primeiro lugar! É muito sabido esse meu filho. Considerando as informações apresentadas, qual a hipótese diagnóstica mais provável para os problemas relatados por Eurípedes?

  1. A)Transtorno de personalidade Obsessiva compulsiva
  2. B)Transtorno do espectro do autismoGABARITO
  3. C)Transtorno de ansiedade social
  4. D)Transtorno de personalidade esquizotípica

Explicação

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