Sem acessórios nem som Escrever só para me livrar de escrever. Escrever sem ver, com riscos sentindo falta dos acompanhamentos com as mesmas lesmas e figuras sem força de expressão. Mas tudo desafina: o pensamento pesa tanto quanto o corpo enquanto corto os conectivos corto as palavras rentes com tesoura de jardim cega e bruta com facão de mato. Mas a marca deste corte tem que ficar nas palavras que sobraram. Qualquer coisa do que desapareceu continuou nas margens, nos talos no atalho aberto a talhe de foice no caminho de rato. FREITAS FILHO, A. Máquina de escrever: poesia reunida e revista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. Nesse texto, a reflexão sobre o processo criativo aponta para uma concepção de atividade poética que põe em evidência o(a)

  1. A)angustiante necessidade de produção, presente em “Escrever só para me livrar/ de escrever”.
  2. B)imprevisível percurso da composição, presente em “no atalho aberto a talhe de foice/ no caminho de rato”.
  3. C)agressivo trabalho de supressão, presente em “corto as palavras rentes/ com tesoura de jardim/ cega e bruta”.GABARITO
  4. D)inevitável frustração diante do poema, presente em “Mas tudo desafina:/ o pensamento pesa/ tanto quanto o corpo”.
  5. E)conflituosa relação com a inspiração, presente em “sentindo falta dos acompanhamentos/ e figuras sem força de expressão”.

Explicação

A alternativa **C** está correta porque o texto destaca um **trabalho agressivo de supressão**, simbolizado por ações como "corto as palavras rentes com tesoura de jardim/ cega e bruta" e "conectivos corto... com facão de mato". Essas imagens reforçam a ideia ... Ver explicação completa e trilha adaptativa →

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