Pediatria

Criança do sexo masculino, 9 anos, sofreu queda da bicicleta enquanto descia em uma ladeira, batendo com o hemicorpo esquerdo contra o meio-fio da calçada. Estava de capacete, não bateu a cabeça e não perdeu a consciência. Foi levado pelo pai ao prontosocorro pois queixava de dor em hemitórax e flanco esquerdo. Na avaliação primária, possuía vias aéreas pérvias, estava sem colar cervical; tinha murmúrio vesicular presente bilateralmente à ausculta respiratória, SatO2: 97% em ar ambiente, eupneico; PA: 78 x 49 mmHg, FC: 124 bpm, abdome doloroso à palpação profunda de hipocôndrio e flanco esquerdo, descompressão brusca não dolorosa; Glasgow: 15, sem déficit sensitivo ou motor, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Na avaliação secundária, tinha dor à palpação do gradil costal esquerdo, hipocôndrio e flanco esquerdo e referia dor no ombro esquerdo. Realizado E-FAST, que resultou positivo no espaço esplenorrenal. Feita a expansão volêmica com cristaloide, apresentando PA: 99 x 64 mmHg e FC: 102 bpm posteriormente. Solicitada a TC de abdome com contraste, que evidenciou lesão esplênica grau IV com blush. Diante do caso, assinale a alternativa incorreta:

  1. A)A 10ª edição do ATLS recomenda a expansão volêmica com 20ml/kg de cristaloides em crianças e demonstra uma tendência da literatura em já considerar o uso de hemoderivados, se não houver resposta hemodinâmica. No paciente em questão, houve resposta satisfatória, portanto, pode-se considerar terapia não operatória.
  2. B)A presença do blush relatado na TC de abdome não é, por si só, indicação cirúrgica, isto é, pode-se optar por tratamento conservador em hospitais que possuam suporte intensivo, serviços de hemodinâmica e cirurgia adequados. No paciente em questão, a manutenção da dor abdominal descrita na chegada, sem melhora ou piora após 48 horas, indica falha no tratamento não operatório.GABARITO
  3. C)A dor no ombro esquerdo referida pelo paciente é conhecida como sinal de Kehr. Sua causa é a irritação do diafragma por sangue devido à lesão esplênica. No paciente em questão, deve-se tentar tratamento conservador a princípio e, em caso de falha, o tratamento cirúrgico deve sempre tentar preservar parte do baço, realizando esplenectomia parcial quando possível.
  4. D)No paciente, mesmo se o grau da lesão esplênica fosse classificada como V de acordo com a AAST, poderíamos tentar tratamento não operatório primeiro, uma vez que as diretrizes mais atuais consideram a estabilidade hemodinâmica como fator mais relevante que a lesão anatômica em si.

Explicação

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